OS TRÊS PILARES DO MEU PASTOREIO
Por Pr. Paulo Felipe
Pastorear vai muito além de subir num púlpito para pregar ou conduzir um culto. É um chamado que mexe comigo todos os dias, que me desafia, que me faz crescer e, principalmente, que me faz amar profundamente cada pessoa que Deus confiou ao meu cuidado.
Ao longo do tempo, percebi que existem três pilares que sustentam meu pastorado e que são essenciais para que eu possa cumprir esse chamado com integridade e paixão.
Primeiro pilar – Direção fundamentada na Palavra: o papel do aio (ἀΐων)
Paulo usa o termo grego aio para designar o tutor, o guardião ou o educador temporário que acompanha o pupilo até que ele atinja a maturidade (Gálatas 3:24). A palavra aio vem do conceito de alguém que exerce autoridade com responsabilidade e amor, preparando para a liberdade.
No contexto do pastorado, o aio não é um controlador ou ditador, mas aquele que conduz com firmeza, baseado na verdade da Palavra de Deus, para que o rebanho cresça em maturidade espiritual e encontre a liberdade plena em Cristo.
Essa função exige equilíbrio: firmeza para apontar o caminho correto — mesmo que seja estreito e difícil — e sensibilidade para compreender as necessidades individuais. Como aio, meu papel é guiar, proteger e ensinar, sempre ancorado nas Escrituras, que revelam o coração de Deus para o seu povo.
Segundo pilar – Cuidado pessoal e próximo: phileo (φιλία), episkopē (ἐπισκοπή) e storge (στοργή)
O cuidado pastoral é multifacetado e profundo, e a língua grega traz termos específicos que nos ajudam a compreender suas dimensões:
Phileo (φιλία): Este termo expressa o amor fraternal, o carinho genuíno entre irmãos (Romanos 12:10). É um amor ativo, que demonstra amizade, cuidado e solidariedade dentro da comunidade cristã.
Episkopē (ἐπισκοπή): Traduzido como “supervisão” ou “vigilância”, este termo aparece nas instruções para os líderes da igreja (1 Timóteo 3:2; Tito 1:7). Indica uma responsabilidade contínua e zelosa de estar atento, proteger e cuidar do rebanho, não apenas de forma administrativa, mas com envolvimento pessoal.
Storge (στοργή): Refere-se ao amor natural e afetivo, como o amor familiar entre pais e filhos. Paulo usa essa dimensão quando fala do seu relacionamento com as igrejas, afirmando que é “pai” delas por causa do evangelho (1 Coríntios 4:15), o que revela um compromisso profundo, paternal e emocional.
Esses três termos ilustram o cuidado pastoral que vai além do formal: é um amor prático, feito de proximidade, tempo dedicado, oração fervorosa e presença real em todas as situações. Cuidar das pessoas como Deus nos confiou é um privilégio e uma responsabilidade que exige todo o coração.
Terceiro pilar – Autoridade sacerdotal para abençoar: hiereus (ἱερεύς) e eulogia (εὐλογία)
No Antigo Testamento, o sacerdote (hiereus) era o mediador entre Deus e o povo, responsável por rituais sagrados, intercessão e bênçãos (Êxodo 28:1; Números 6:22-27).
No Novo Testamento, o ministério pastoral herda esse papel sacerdotal de forma espiritual. Como pastor, sou chamado a exercer a função de hiereus: interceder pelo rebanho, ministrar a Palavra de Deus, impor as mãos e pronunciar bênçãos com a autoridade que vem de Cristo, nosso Sumo Sacerdote (Hebreus 4:14-16).
A palavra grega eulogia significa literalmente “boa palavra” ou “bênção”. Quando declaro uma bênção, não é uma mera formalidade, mas a proclamação do favor e da graça de Deus que transforma vidas e fortalece famílias. Essa bênção é um canal do poder divino atuando por meio do meu ministério.
Esse papel é sagrado e me enche de reverência e gratidão, pois sei que sou apenas um instrumento nas mãos do Deus Todo-Poderoso, que usa meu ministério para confirmar sua presença e seu cuidado na vida do seu povo.
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Esses três pilares — direção firme do aio, cuidado amoroso expresso em phileo, episkopē e storge, e autoridade sacerdotal manifestada no papel de hiereus com a bênção eulogia — formam o alicerce do meu pastorado. Eles me sustentam e me impulsionam a seguir firme, mesmo nas dificuldades, porque sei que não faço isso sozinho, mas guiado e fortalecido pelo Deus que me chamou.
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